terça-feira, 6 de outubro de 2009

Anticristo - Nietzsche



Vou postar sobre o livro Anticristo, de Nietzsche, porque o próximo post será sobre o filme Anticristo, pois muitas pessoas não entenderam a proposta de Lars Von Trier e para quem não sabe, esse é o livro de cabeceira dele. Já falei de Nietzche nesse post: Assim falou Zaratustra.
Anticristo, não fala sobre o Anticristo (segundo a profecia, é o cara que virá enganando a muitos, fingindo ser o Cristo), mas nesse livro, Anticristo é a completa anulação de Cristo. Ele detona os judeus e os cristãos e exalta o homem superior. Abaixo deixo alguns fragmentos do livro:

O que é bom? Tudo que aumenta,no homem,a sensação de poder, a vontade de poder, o próprio poder. O que é mau? Tudo que se origina da fraqueza. O que é felicidade? A sensação de que o poder aumenta, de que uma resistência foi superada.

O cristianismo tomou o partido de tudo o que é fraco, baixo e fracassado; forjou seu ideal a partir da oposição a todos os instintos de preservação da vida saudável; corrompeu até mesmo as faculdades daquelas naturezas intelectualmente mais vigorosas, ensinando que os valores intelectuais elevados são apenas pecados, descaminhos, tentações. O exemplo mais lamentável: o corrompimento de Pascal, o qual acreditava que seu intelecto havia sido destruído pelo pecado original, quando na verdade tinha sido destruído pelo cristianismo!

Através da perda de força causada pela compaixão o sofrimento acaba por multiplicar-se. O sofrimento torna-se contagioso através da compaixão; sob certas circunstancias pode levar a um total sacrifício da vida e da energia vital – uma perda totalmente desproporcional à magnitude da causa (o caso da morte de Nazareno).

O idealista, assim como o eclesiástico, carrega todos os grandes conceitos em sua mão (– e não apenas em sua mão!); os lança com um benevolente desprezo contra o “entendimento”, os “sentidos”, a “honra”, o “bem viver”, a “ciência”; vê tais coisas abaixo de si, como forças perniciosas e sedutoras, sobre as quais “o espírito” plana como a coisa pura em si – como se a humildade, a castidade, a pobreza, em uma palavra, a santidade, não tivessem causado muito mais dano à vida que quaisquer outros horrores e vícios... O puro espírito é a pura mentira...

Os judeus são o povo mais notável da História, pois quando foram confrontados com o dilema do ser ou não ser, escolheram, através de uma deliberação excepcionalmente lúcida, o ser a qualquer preço: esse preço envolvia uma radical falsificação de toda a natureza, de toda a naturalidade, de toda a realidade, de todo o mudo interior e também o exterior.

o padre é visto como realmente é – como a mais perigosa forma de parasita,como a peçonhenta aranha da criação...

A mulher foi o segundo erro de Deus. – “A mulher, por natureza, é uma serpente: Eva” – todo padre sabe disso; “da mulher vem todo o mal do mundo” – todo padre sabe disso também. Logo, igualmente cabe a ela a culpa pela ciência... Foi devido à mulher que o homem provou da árvore do conhecimento.

Como se proteger contra a ciência? Por longo tempo esse foi o problema capital. Resposta: expulsando o homem do paraíso! A felicidade e a ociosidade evocam o pensar – e todos pensamentos são maus pensamentos! – O homem não deve pensar.

a fé na realidade não move montanhas, mas as constrói onde antes não existiam

O cristianismo necessita da doença, assim como o espírito grego necessitava de uma
saúde superabundante – o verdadeiro objetivo de todo o sistema de salvação da Igreja é tornar as pessoas enfermas.

“Fé” significa não querer saber o que é a verdade.

O homem de fé, o “crente” de toda espécie, é necessariamente dependente – tal homem é incapaz de colocar-se a si mesmo como objetivo, e tampouco é capaz determinar ele próprio seus objetivos. O “crente” não se pertence; apenas pode ser o meio para um fim; precisa ser consumido; precisa de alguém que o consuma.

A casta superior – que denomino a dos pouquíssimos – tem, sendo a mais perfeita, privilégios correspondentes: representa a felicidade, a beleza e tudo de bom sobre a Terra. Apenas os homens mais intelectuais têm direito à beleza, ao belo; apenas entre eles a bondade não significa fraqueza. Pulchrum est paucorum hominum (A beleza é para poucos)

Os homens mais inteligentes, sendo os mais fortes, encontram sua felicidade onde outros encontrariam apenas desastre

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