domingo, 20 de maio de 2018

Disciplina de Pensamento Critico: Alguns elementos historicos (Parte 2)

Dando continuidade ao resumo da disciplina. Para quem perdeu a parte um, é so vir por aqui

Alguns elementos historicos do pensamento critico

O começo do pensamento critico grego, os fisicos sao os primeiros filosofos.
Filosofar é distanciar dos valores legados pela tradiçao, nao necessariamente recusa-los, mas critica-los e argumentar sobre sua legitimidade, coloca-os à prova e ao tribunal da razao.
Os fisicos estudam a natureza, procuram os elementos fundamentais (agua, fogo, ar, terra). 
Tales de Mileto é um dos primeiros filosofos/fisicos que se tem conhecimento. Ele soube separar discursos da mitologia e privilegiar a visao naturalista caracterizada pela observaçao e demonstraçao. Tenta compreender o mundo e a natureza (cosmologia). É mais conhecido devido ao "Teorema de Tales".
Os fisicos nao se interessam por politica e respeitam as autoridades de onde vivem.
Mais tarde, Xenófanes de Cólofon entendeu que o homem inventou os deuses e os mitos, o que questiona o poder da aristocracia, vista como "a escolhida" para exercer o poder e a dominaçao.

Sofistas (sofi=sabedoria)
Sec. V a.C., Atenas torna-se democratica, nova geraçao de filosofos que abordavam diretamente as questoes politicas, pois eram professores de retorica (= arte de falar corretamente, tomar decisoes sabias). 
Declinio dos sofistas: Com o tempo, a retorica foi usada para manipulaçao, demagogia, corrupçao, sofismas (erros voluntarios), divertimento do publico, jogo de emoçoes.

Socrates e Platao

Socrates, na Agora, critica os sofistas por meio da dialética (debates para demonstrar e refutar / argumentaçao e raciocinio). É acusado e morto.

Platao é discipulo de Socrates, achava que o povo era levado pelos argumentos dos sofistas sem refletir (assembleia de ignorantes) e que os filosofos deveriam decidir no lugar deles nas assembleias (monarquia filosofica).

Aristoteles

Tratado da retorica /Refutaçao dos sofistas: teses para tentar salvar a democracia.
Reticente à ideia que os filosofos podem governar. Prudência 


A critica indireta dos dogmas
Dogma: afirmaçao considerada fundamental, incontestavel e intangivel formulada por uma autoridade politica, filosofica ou religiosa.

Idade média
O Nome da Rosa, de Umberto Eco - a redescoberta da comédia de Aristoteles poderia destruir a base do cristianismo

Sola Scriptura (somente as escrituras) x Liberum examen: rejeita o argumento de autoridade em materia do saber e da liberdade de julgamento.

Séc XVI- Protestantismo contesta o poder da Igreja catolica e do Papa em interpretar a biblia, denuncia a corrupçao e o enriquecimento ilicito do clero que pretendem ser mediadores entre Deus e os homens.
Lutero traduziu a biblia para que esta fosse acessivel na lingua do povo. O fiel poderia examinar as escrituras sem deixar-se dominar pela a opiniao da Igreja.
Risco de livre interpretaçao: Igreja catolica condena o pensamento protestante de interpretaçao individual

Kant e o século das luzes

Séc XVIII - Kant afirma a importância do uso da razao critica individual a fim de se libertar da tradiçao e do estado de tutela no qual nos encontramos.
Estado de tutela: Quando nao fazemos uso da razao critica
Estado de minoridade: estado em que se falta coragem e de resoluçao.
O individuo liberto de dogmas e argumentos de autoridade torna-se mestre da propria razao e pensa por si mesmo.

Ideologos (filosofos e pensadores do meio acadêmico na França, no fim do séc XVIII): Podemos examinar livremente nao apenas os textos sagrados, mas todos os problemas que se apresentam (extensao da noçao), sem dogmas. O individuo passa a refletir sobre os problemas, independentemente do que esteja nas escrituras, pode inclusive ser contra e refutar.

Questao da laicidade

Contra um poder politico baseado em uma religiao oficial. O exercicio do pensamento critico é incompativel com um estado teologico que é baseado numa autoridade dogmatica.
Estado laico: Caracteriza-se pela ausencia de religiao oficial e neutralidade absoluta, cada um pode se orientar como quiser. O estado laico nao privilegia e nem discrimina nenhum individuo por causa de suas crenças e trabalha em prol de todos. Garante a liberdade de consciência, diferente do estado teocratico.

Continua...

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