quinta-feira, 27 de agosto de 2015

BEDA dia 27 - Filme + livro: Fahrenheit 451


Fahrenheit 451 é um romance de ficçao cientifica distopica, escrito por Ray Bradbury e publicado em 1953, nos EUA. É mais profético que muito livro de profecia religiosa.
451ºF (232ºC) é a temperatura ideal para transformar um livro em cinzas. A brigada 451 dos bombeiros é encarregada de queimar livros, eles têm como missao entrar nos lares subversivos, dos amantes da literatura e destruir tudo.
Guy Montag é um desses bombeiros. Um dia ele encontra com sua vizinha adolescente, Clarisse, que sempre faz perguntas instigantes para ele, a ponto de ele refletir sobre seu trabalho, o porquê dos livros serem tao perigosos e a razao pela qual ele deveria queima-los todos.  
Caminharam ainda mais um pouco e a garota disse:
— É verdade que antigamente os bombeiros apagavam incêndios em lugar de começá-los?
— Não. As casas sempre foram à prova de fogo, pode acreditar no que eu digo.

Até entao ele fazia seu trabalho mecanicamente, sem jamais questionar.
"Não estou pensando. Apenas estou fazendo como me mandam, como sempre. Você disse “pegue o dinheiro” e eu peguei. Realmente não pensei nisso. Quando começo a fazer as coisas por mim mesmo"?

Sua esposa Mildred era viciada na programaçao da TV e em remédios narcotizantes. Eles quase nao conversam, parecem ter déficit de atençao e memoria curta, nao conseguem nem lembrar quando e onde se conheceram, nem sabem se amam um ao outro, sao conformados com aquela vidinha esquisita.

Beatty é comandante da brigada que conhece varios livros, mas com intuito de combatê-los, inclusive ele diz:
“O Diabo é capaz de citar as Escrituras para atingir seus fins”.
O comandante tinha todo um discurso para convencer as pessoas a nao lerem.

Bem, Montag, pode acreditar, no meu tempo eu tive de ler alguns, para saber do que se tratava, e lhe digo: os livros não dizem nada! Nada que se possa ensinar ou em que se possa acreditar. Quando é ficção, é sobre pessoas inexistentes, invenções da imaginação. Caso contrário, é pior: um professor chamando outro de idiota, um filósofo gritando mais alto que seu adversário. Todos eles correndo, apagando as estrelas e extinguindo o sol. Você fica perdido. 
Ela não queria saber como uma coisa era feita, mas por quê. Isso pode ser embaraçoso. Você pergunta o porquê de muitas coisas e, se insistir, acaba se tornando realmente muito infeliz.Se não quiser um homem politicamente infeliz, não lhe dê os dois lados de uma questão para resolver; dê-lhe apenas um. Melhor ainda, não lhe dê nenhum. Deixe que ele se esqueça de que há uma coisa como a guerra. Se o governo é ineficiente, despótico e ávido por impostos, melhor que ele seja tudo isso do que as pessoas se preocuparem com isso. 
Não as coloque em terreno movediço, como filosofia ou sociologia, com que comparar suas experiências. Aí reside a melancolia. Todo homem capaz de desmontar um telão de tevê e montá-lo novamente, e a maioria consegue, hoje em dia está mais feliz do que qualquer homem que tenta usar a régua de cálculo, medir e comparar o universo, que simplesmente não será medido ou comparado sem que o homem se sinta bestial e solitário. 
Não deixe a torrente de filosofia melancólica e desanimadora engolfar nosso mundo. Dependemos de você. Acho que você não percebe a importância que você tem, que nós temos, para que o nosso mundo continue feliz como ele é hoje.

Montag, de perseguidor passa a ser perseguido porque começou a ler. Conheceu Faber, um professor de inglês aposentado "que havia quarenta anos fora descartado para o mundo, quando a última faculdade de ciências humanas fora fechada por falta de alunos e patrocínio" e depois conheceu um grupo de pessoas, ex-professores ou leitores que decoravam os livros para nao esquecer e transmitia-os de forma oral aos outros.


Vamos à enxurrada de quotes proféticas:

Sobre a rapidez da informaçao no século 20.

Tudo se resume no Twitter e nos memes de internet
Imagine o quadro. O homem do século dezenove com seus cavalos, cachorros, carroças, câmera lenta. Depois, no século vinte, acelere sua câmera. Livros abreviados. Condensações. Resumos. Tabloides. Tudo subordinado às gags, ao final emocionante.— Clássicos reduzidos para se adaptarem a programas de rádio de quinze minutos, depois reduzidos novamente para uma coluna de livro de dois minutos de leitura, e, por fim, encerrando-se num dicionário, num verbete de dez a doze linhas. Estou exagerando, é claro. Os dicionários serviam apenas de referência.
Clique, Fotografe, Olhe, Observe, Filme, Aqui, Ali, Depressa, Passe, Suba, Desça, Entre, Saia, Por Quê, Como, Quem, O Quê, Onde,Hein? Ui! Bum! Tchan! Póin, Pim, Pam, Pum! Resumos de resumos, resumos de resumos de resumos. Política? Uma coluna, duas frases, uma manchete! Depois, no ar, tudo se dissolve! A mente humana entra em turbilhão sob as mãos dos editores, exploradores, locutores de rádio, tão depressa que a centrífuga joga fora todo pensamento desnecessário, desperdiçador de tempo!

Sobre a escolaridade

Faculdade de humanas esta indo pra esse nivel ai e ninguém se importa.
A escolaridade é abreviada, a disciplina relaxada, as filosofias, as histórias e as línguas são abolidas, gramática e ortografia pouco a pouco negligenciadas, e, por fim, quase totalmente ignoradas. A vida é imediata, o emprego é que conta, o prazer está por toda parte depois do trabalho. Por que aprender alguma coisa além de apertar botões, acionar interruptores, ajustar parafusos e porcas? 

Sobre eleiçoes

Desde quando era criança ouvia o papo de gente votar para presidente porque o cara era bonito. Lembro até hoje do Collor, que era um tipao esportista e ja com a Dilma foi o contrario, tinha gente que nao votaria nela porque ela era feia. Com tantos motivos para votar ou nao em uma pessoa, a beleza e a feiura que decide.
— Como todo mundo, eu votei na última eleição e assinei embaixo pelo presidente Noble, é claro. Acho que ele é um dos homens mais bonitos que já chegaram à Presidência.— Ah, mas também com o homem que a oposição lançou para disputar com ele!— Não era grande coisa, não é mesmo? Meio baixinho e feioso, não fazia direito a barba nem sabia se pentear muito bem.— O que deu na oposição para lançá-lo como candidato? Não se pode lançar um baixinho desses contra um homem alto.Além disso... ele resmungava. Metade do tempo eu não conseguia ouvir uma palavra do que ele dizia. E quando eu ouvia, não entendia!— E além disso era gordo, e nem disfarçava com as roupas. Não admira que a maioria esmagadora dos votos fosse para Winston Noble. Até os nomes ajudaram. Basta comparar Winston Noble com Hubert Hoag por uns dez segundos para adivinhar o resultado.

Sobre a televisao e as midias em geral

Tem gente que acredita piamente no que o Bonner diz
O televisor é “real”. É imediato, tem dimensão. Diz o que você deve pensar e o bombardeia com isso. Ele tem que ter razão. Ele parece ter muita razão. Ele o leva tão depressa às conclusões que sua cabeça não tem tempo para protestar: “Isso é bobagem!”.

Sociedade do espétaculo despreocupada com a leitura e com a realidade

“Os bombeiros raramente são necessários. O próprio público deixou de ler por decisão própria. Vocês, bombeiros, de vez em quando garantem um circo no qual multidões se juntam para ver a bela chama de prédios incendiados, mas, na verdade, é um espetáculo secundário, e dificilmente necessário para manter a ordem. São muito poucos os que ainda querem ser rebeldes”. 

Outros fragmentos

"Mais esporte para todos, espírito de grupo, diversão, e não se tem de pensar, não é? Organizar, tornar a organizar e superorganizar super-superesportes. Mais ilustrações nos livros. Mais figuras. A mente bebe cada vez menos. Impaciência. Rodovias cheias de multidões que vão pra cá, pra lá, a toda parte, a parte alguma. Os refugiados da gasolina. Cidades se tornam motéis, as populações em surtos nômades, de um lugar para o outro, acompanhando as fases da lua".
"Um livro é uma arma carregada na casa vizinha".
"Será porque estamos nos divertindo tanto em casa que nos esquecemos do mundo? Será porque somos tão ricos e o resto do mundo tão pobre e simplesmente não damos a mínima para sua pobreza? Tenho ouvido rumores; o mundo está passando fome, mas nós estamos bem alimentados. Será verdade que o mundo trabalha duro enquanto nós brincamos? Será por isso que somos tão odiados"? 

O filme


O filme homônimo britânico, de 1966, foi dirigido pelo francês François Truffaut e olha... Perfeito! Gostei bastante dos livros citados no filme que sao diferentes dos citados no livro, me deu vontade de lê-los todos. Truffaut mudou um pouco a historia da Clarisse, também o nome da esposa de Montag e o final do filme que é um pouco diferente do livro, acho que ele foi mais otimista que o escritor, por isso sempre digo, o filme nao substitui a leitura.

Os atores Oskar Werner e Julie Christie
A atuaçao da Bee Duffell foi curta, mas foi sensacional, aplaudiria de pé essa mulher no cinema.
Azamigue que se encontram para verem tv juntas, parece umas pessoas que se encontram, mas cada uma fica olhando para tela do celular. Acho uma falta de respeito tao grande.

Conversa com Ray Breadbury

Tem como nao amar esse escritor, apos essa entrevista? (em inglês)


Agora estou pensando qual livro eu decoraria para leva-lo na mente, se um dia fosse necessario...

O livro e o filme fazem parte do meu projeto "Literatura na sétima arte"  12/100

Um comentário:

  1. Ana,
    Estou lendo e amando o livro. Ainda não vi o filme, irei fazer isso assim que acabar de ler. É espetacular esse livro! Bem profético mesmo.
    Beijos
    Adriana

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