segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Esperando Godot - O filme

Esperando Godot é o nome da famosa peça teatral de Samuel Beckett, classificada como "teatro do absurdo", dois maltrapilhos estão em um lugar onde não há nada, apenas uma árvore pequena (chorão), neste lugar eles ficam esperando Godot todos os dias, às vezes um dé a dica de saírem ou de fazerem outra coisa, mas o outro lembra que eles estão lá esperando, não podem sair e ficam naquela monotonia e rotina.
Alguns críticos dizem que Godot é God (inglês= Deus), os nomes dos personagens era Gogo (Estragon) e Didi (Vladimir) que de um certo modo, forma GODI,GODI que também lembra GOD.
Tanto o filme quanto a peça é dividido em 2 atos muito parecidos, no 1º eles comentam sobre a passagem bíblica dos dois ladrões que estavam na cruz com Jesus e um deles foi salvo, eles têm dúvidas que dos quatro evangelhos, apenas um relata essa passagem e um deles acha absurdo todo mundo acreditar no que diz um evangelho e ignorar os outros três que não mencionaram.
Gogo sempre apanha durante à noite e volta para esperar Godot todo dolorido.
No fim do dia, eles sempre mencionam a vontade de se enforcar na árvore, mas não têm corda e um lembra ao outro de não esquecerem de trazer no dia seguinte.
Até que um dia aparece Pozzo e Lucky na estrada, Lucky é um escrava, burro de carga, carrega as malas, anda amarrado em um corda puxada pelo Pozzo, sempre cabisbaixo e calado, sempre humilhado, come os ossos de galinha que Pozzo joga para ele. O mais curioso é que lucky significa sortudo. Como alguém sortudo leva o peso em suas costas, a humilhação, a tortura?
Em uma ocasião, Pozzo pergunta se Gogo e Didi querem ver Lucky, dançar, recitar ou pensar, eles apreensivos perguntam: Ele pensa? E Lucky dispara a falar, com vocabulários difíceis e citando personalidades, tudo muito confuso.
No 2º ato Didi tem um momento de refletir sobre a vida:
VLADIMIR
Não vamos perder tempo com discussões inúteis! Vamos fazer alguma coisa, enquanto temos a oportunidade! Não é todo dia que precisam de nós. Não que precisem realmente de nós. Outros poderiam tratar do assunto tão bem quanto a gente, talvez até melhor do que a gente. Esses gritos de socorro que ainda ressoam em nossos ouvidos foram dirigidos à humanidade inteira! Mas neste momento, neste lugar, a humanidade inteira se resume em nós, queiramos ou não.Vamos fazer o melhor que pudermos, antes que seja tarde demais! Vamos representar dignamente, ao menos uma vez, o terrível papel que um cruel destino nos reservou! Que é que você me diz? (Estragon não diz nada.) É evidente, também, que, se ficarmos de braços cruzados, pesando os prós e os contras,também faremos justiça à nossa espécie. O tigre se precipita em socorro de seus congêneres sem a menor reflexão. Ou foge a se esconder nos emaranhados da selva. Mas a questão não é essa. O que é que estamos fazendo aqui? Esta é a questão. E somos abençoados por conhecer a resposta. Sim, em meio a essa imensa confusão, uma só coisa está clara: estamos esperando Godot.

Em seguida, aparece Pozzo e Lucky, só que desta vez Pozzo é cego e Lucky é mudo.

Esse filme manteve a originalidade da peça, é uma forma de revermos nossa condição humana, que tem sempre a esperança de surgir um salvador, isso nos deixa preso na crença de que dias melhores virão, de que seremos salvos da opressão, mas a vida não passa de um eterno tédio e de uma eterna espera, essa espera que nos mantém vivos, porque se crermos que a vida vai ser sempre a mesmisse, levaríamos a corda para a árvore.
A vida é mais fácil para os conformistas (lucky) que aceitam o peso do mundo como karma, mas eu, por exemplo, tenho certas ambições, questiono demais, tenho sede de justiça, sou inquieta e ansiosa, ter que esperar é algo torturante. O meu lado racional faz-me duvidar da existência de Deus, de alma, de tudo que é religioso, exotérico, invisível, mas ao menos tempo tenho muita curiosidade em conhecer a fundo tudo isso, vivo um dilema, uma guerra de ID, Ego e Superego, queria me apegar com algo que me tranquilize, eu queria mesmo que Godot pudesse vir e tornar as coisas mais fáceis, mas não vou ficar esperando, vou vivendo conforme posso.

2 comentários:

  1. Tanto o filme quanto o livro, alias, a peça em si é maravilhosa!
    Um ótimo filme.

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